O “Quarto Branco” e o Cuidado em Saúde Mental

Clara Sousa

1/19/20263 min read

Ao acompanhar um pouco das discussões sobre o maior reality brasileiro de TV aberta em rede nacional. Foi percebido uma experiência de confinamento com oito participantes para competirem entre eles, vagas para concorrer a entrar realmente no jogo em prol de um prêmio milionário. Popularmente os chamaram de “manicomers”, para remeter o grau de pressão psíquica, que tinham uma alimentação restrita, em um quarto branco, vestindo macacões brancos e os comportamentos apresentados depois de dias de delírios com fome e sono diante de tantas luzes do lugar em que estavam, muitos ainda resistiam.

O público acompanhou durante uma semana esse confinamento como entretenimento. Mas, precisamos olhar com mais afinco para questões diversas de saúde mental. Aqueles participantes vivem a realidade de tantos brasileiros, de sentirem na pele: o desemprego, os baixos salários, a precariedade do transporte público e as superlotações nas grandes cidades. Ou seja, aquela seria uma oportunidade de passar das difíceis realidades de suas casas, para uma oportunidade de melhorar de vida através de continuarem a entreter a grande massa brasileira por estar durante meses em uma casa, sendo vigiado a todo tempo.

O cuidado em saúde mental nos pede olhar atento para a realidade. Estamos em uma era com o excesso de informações sobre o que deve ou não se fazer para cuidar da saúde mental. Mas até que ponto a saúde mental segue um único padrão?

Os confinados mostraram que em meio a fome, aos barulhos, as luzes e restrição de sono, foram capazes de resistir. Porque muitos deles resistem a questões diversas de precariedade na vida diariamente.

A saúde mental nos pede que estejamos atentos ao que faz sentido e que nos trazem um bem viver. O cuidado tão almejado para a nossa saúde requer atenção para com os recursos que temos a nossa sobrevivência que vão desde água potável e uma alimentação rica de nutrientes. Mas também precisamos pensar no lugar que moramos e as pessoas que convivemos. Os participantes desse reality ainda mostraram que a essência da busca por tentar estavam impregnados na maioria do grupo, levando-os a desejarem muito continuarem na disputa por o prêmio.

O que fico a pensar de ter ajudado muito a cada um a desejar permanecer, foi o senso de coletividade. Começaram a cuidar e ser empáticos uns com os outros, entretendo, conversando para passar o tempo. O adoecimento mental pode se dar por questões biológicas, ambientais, por questões de violências, mas especialmente pelas relações. Relações saudáveis nos potencializam, relações que se manifestam como violentas causam malefícios que se mostra na integralidade do ser.

Não basta conhecermos inúmeras listas para a saúde mental, mas entender o que seja realmente ético e necessário para si e para o outro. É importante que estejamos também abertos para o cuidado. Pois, quanto mais tardarmos, mais podemos encontrar agravamentos em nossa saúde física e mental.

O que podemos extrair de aprendizagem dessa experiência do “quarto branco”…é essencial que tenhamos coerência no cuidar da vida, que vão desde o respeito com a vida, quanto fiel as suas necessidades. Nem sempre dizer sim pode ajudar a ter saúde, mas que o sim seja entremeado com uma experiência de bem viver, sem ferir a dignidade do outro.